Por Gabriela Morgante
No cenário global em constante transformação, olhar para novos mercados é uma necessidade estratégica para empresas que desejam crescer de forma sustentável. Um desses mercados com enorme potencial — e que muitas vezes passa despercebido — é o Leste Europeu.
Formado por países como Polônia, Romênia, República Tcheca, Hungria, Bulgária e Eslováquia, o bloco reúne uma população de cerca de 90 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a US$ 1,9 trilhão. Além disso, apresenta crescimento econômico consistente, forte integração com a União Europeia e investimentos em infraestrutura e tecnologia.
Brasil e Leste Europeu: relação em expansão
O comércio entre o Brasil e o Leste Europeu movimentou US$ 5,6 bilhões em 2023, com destaque para a Polônia, que representa dois terços desse total. As exportações brasileiras cresceram em média 14,9% ao ano entre 2019 e 2023, um sinal claro de que há espaço — e apetite — por produtos brasileiros na região.
Hoje, nossa pauta ainda é fortemente baseada em commodities, como farelo de soja, minérios, carnes e açúcar. Mas há uma oportunidade estratégica de diversificação, com mais de 1.600 produtos identificados como promissores no Mapa de Oportunidades da ApexBrasil.
O que o Leste Europeu quer comprar?
A região importa fortemente alimentos, bebidas, químicos, autopeças, máquinas e produtos industriais. Há crescente demanda por:
- Produtos de valor agregado;
- Ingredientes naturais e sustentáveis;
- Tecnologia e inovação com propósito;
- Produtos com certificações de qualidade e origem.
Esse perfil de consumo abre portas para empresas brasileiras que apostam na diferenciação como vantagem competitiva.
Oportunidades para PME brasileiras
Muitas vezes, quando falamos em exportação, pensamos apenas em grandes empresas. Mas o Leste Europeu é, na verdade, um terreno fértil para pequenas e médias empresas. Por quê?
- O acesso à região é facilitado pelos acordos comerciais da União Europeia.
- O ambiente de negócios é menos saturado que em mercados tradicionais.
- A barreira linguística está cada vez menor, com consumidores digitalmente conectados e acostumados a produtos internacionais.
- O acordo Mercosul–UE, quando ratificado, deve abrir ainda mais oportunidades com redução de tarifas e harmonização regulatória.
Como começar?
Minha sugestão para quem quer explorar o Leste Europeu é começar por três frentes:
- Estudo de mercado com base em dados confiáveis, como os da ApexBrasil e órgãos de inteligência comercial europeus;
- Participação em feiras e rodadas de negócios, presenciais ou virtuais, para testar o interesse do mercado;
- Adequação regulatória e de embalagem, com foco em rótulos bilíngues, rastreabilidade e sustentabilidade — cada vez mais exigidos no varejo europeu.
Conclusão
Exportar para o Leste Europeu é mais do que diversificar mercados — é construir posicionamento global. Ao buscar mercados menos explorados, com demanda crescente e boas perspectivas de médio prazo, as empresas brasileiras se colocam em uma rota de crescimento mais resiliente, inovadora e internacionalizada.
Expandir fronteiras não é apenas uma opção — é uma decisão estratégica. E o Leste Europeu está pronto para nos receber.