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Ingredientes Naturais Brasileiros: Oportunidades Estratégicas no Mercado Espanhol

Por Gabriela Morgante

O mercado espanhol representa uma excelente porta de entrada para ingredientes naturais brasileiros, especialmente em um cenário de consumo consciente e crescente demanda por produtos com apelo de saúde, sustentabilidade e rastreabilidade.

Um Panorama Promissor

Com uma população de 47,9 milhões de pessoas e um PIB nominal de US$ 1,7 trilhão, a Espanha vive um momento de estabilidade econômica, com crescimento estimado acima de 2% ao ano e inflação controlada em torno de 3%. Em 2024, o comércio entre Brasil e Espanha movimentou US$ 13,9 bilhões, com destaque para o aumento contínuo das exportações brasileiras — crescimento médio de 19,8% ao ano desde 2019.

Alimentos Naturais em Alta

O setor de alimentos e ingredientes naturais é particularmente estratégico para o Brasil. A Espanha importou mais de US$ 13,7 bilhões em alimentos e produtos vivos em 2024, sendo o Brasil responsável por 14,8% desse total. Itens como açúcares, frutas tropicais, extratos vegetais, arroz com casca e confeitos se destacam como promessas de crescimento. Além disso, os produtos químicos naturais — como extratos e ativos botânicos — movimentaram US$ 7,1 bilhões em importações, com o Brasil detendo 4,3% de participação.

Tendências de Consumo e Canais de Entrada

O consumidor espanhol está cada vez mais orientado a escolhas conscientes. Produtos naturais, sustentáveis e com propriedades funcionais estão em alta. Suplementos, alimentos funcionais, superfoods e cosméticos naturais ganham espaço nas gôndolas e feiras especializadas.

Eventos como BioCultura, Alimentaria e Natural Products Expo são vitrines estratégicas para empresas brasileiras. A distribuição ocorre via importadores especializados, redes gourmet, farmácias e plataformas online, com centros logísticos-chave em Barcelona, Madrid, Valência e Sevilha.

Acesso ao Mercado e Regulação

Apesar de tarifas que podem variar de 5% a 40% para produtos agrícolas, muitos ingredientes naturais já entram com tarifa zero. A regulação é feita por entidades como AEAT (aduana), MAPA (alimentos), AEMPS (cosméticos e medicamentos) e CEM (metrologia). O Acordo Mercosul–União Europeia, em fase final de negociação, promete facilitar ainda mais esse acesso com padronização de normas e previsibilidade regulatória.

Estratégia de Entrada

A recomendação é focar em ingredientes com alta densidade de valor — como extratos, ativos e pós — voltados para os segmentos de suplementos, alimentos funcionais e cosméticos naturais. Certificações como orgânico, sustentável e rastreável são diferenciais competitivos fundamentais.

Estabelecer parcerias com distribuidores locais e participar de feiras internacionais e rodadas de negócios da APEX Brasil são caminhos estratégicos para posicionar produtos brasileiros com valor agregado no mercado espanhol.

Conclusão

O Brasil tem o que o mundo busca: biodiversidade, qualidade e inovação. Posicionar nossos ingredientes naturais na Espanha é abrir novas fronteiras para um comércio internacional mais consciente, competitivo e sustentável.

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